quinta-feira, 31 de março de 2011
220 MIL TEMPLOS PELO BRASIL

220 MIL TEMPLOS PELO BRASIL
Fórum da EBF em SP reúne executivos e discute futuro da Igreja
Por: Celso de Carvalho - Redação Creio
No Brasil há, segundo o pesquisador da Sepal, Rubens Muzio, 220 mil templos e até 2020 os evangélicos serão 109 milhões no Brasil. Estes foram alguns dados divulgados no Fórum ‘O Brasil de 2020 com mais de 100 milhões de evangélicos’, realizado no Hotel Holiday Inn em São Paulo na tarde desta terça-feira, dia 29. Promovido pela EBF COMUNICAÇÕES o evento reuniu especialistas e debateu em dois painéis sobre Ofertas e Demandas para a Igreja e ao Consumidor Cristão.
Após abertura do presidente da EBF, Eduardo Berzin Filho, o missionário e pesquisador da Sepal, Rubens Muzio apresentou dados sobre a evolução dos evangélicos no Brasil. Falou dentre outros números que existem 1,132 mil municípios com menos de 5% de evangélicos e citou o super crescimento nas Regiões Sudeste e Litoral do Nordeste, mas lembrou da falta de obreiros nas regiões Sul, Norte e no interior do Nordeste. “È uma janela de oportunidade que eventualmente se fechará. Isto acontece a todos os movimentos de despertamento”, enfatizou.
Da esquerda: Alex Amaral; Adilson Ferreira; Juanribe Pagliarin; Rogério Barrios ( mediador); Rubens Muzio da Sepal
Ele citou ainda que há no Brasil 220 mil templos e pontos de pregação e analisou que o grupo dos ‘sem igreja’ e ‘sem religião’ também estão crescendo. “De dez brasileiros, um se considera sem religião. No Rio de Janeiro 12% dos cariocas já se consideram sem Igreja. O grande problema é que a Igreja está fazendo papel de obstetra oferecendo leite básico ao evangelho e não oferecendo algo sólido na dinâmica da fé”.
Após as considerações o debate foi conduzido pelo diretor de marketing da EBF COMUNICAÇÕES, Rogério Barrios, que ao lado do vice-prefeito da cidade de Betim (MG), Alex Amaral; Adilson Ferreira, da Junta de Missões Mundiais; e do pastor Juanribe Pagliarin, levantaram as oportunidades para a Igreja Brasileira. Alex Amaral citou as oportunidades dadas aos evangélicos durante a EXPO BETIM CRISTÃ e de como o Poder Público e a Igreja podem caminhar juntos. Juanribe Pagliarin apresentou como os meios de comunicação e seu projeto ‘Pregadores no Telhado’ podem auxiliar a alcançar os lugares mais afastados do evangelho; Adilson Ferreira conduziu o debate mostrando a transformação da sociedade e citou como exemplo a ação dos batistas na Cracolândia.
Ronaldo Rodrigues, CPAD; Alessandro Tostes, da Gravadora Novo Tempo; Rogério Barrios ( ao centro); José Paulo Fernandes do Mackenzie e Maurício Soares, da Sony
Após intervalo o diretor de marketing da EBF COMUNICAÇÕES, Rogério Barrios, conduziu o debate para as Ofertas e Demandas com este crescimento e reuniu no segundo painel o diretor artistico da Sony Music, Maurício Soares; diretor executivo da CPAD, Ronaldo Rodrigues; José Paulo Fernandes Júnior, diretor da Universidade Presbiteriana Mackenzie; Alessandro Tostes, diretor da gravadora Novo tempo.
No debate assuntos pertinentes como O Livro Digital – a CPAD está preocupada e investirá neste segmento; A música digital e pirataria – como a Sony está investindo neste ramo; Alessandro Tostes – a frente missionária e compromisso dos meios de comunicação.
Um assunto foi comum neste painel: o segmento cristão precisa de profissionalização e precisa lidar melhor com as novas mídias.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Lição 6 - Profetas Maiores e Menores

Lição 6 - Profetas Maiores e Menores
08 de agosto de 2010
TEXTO ÁUREO
"E, começando por Moisés e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras" (Lc 24.27).
- O cumprimento das profecias não é um acidente, elas revelam os propósitos do Senhor. A morte e ressurreição de Jesus foram preditas nas Escrituras, como também, um chamado ao arrependimento e a remissão dos pecados. Os profetas sabiam que o Messias viria, embora não soubessem quando e como (Is 7.14; 9.6; 11.1; Dn 12.6,9). Moisés profetizou que um dia um profeta como ele apareceria; para os judeus, ninguém era maior do que Moisés, mas eles sabiam que Deus levantaria outro profeta como Moisés; quando os fariseus perguntaram se João Batista era o ‘profeta’ (Jo 1.21), eles se referiam a Dt 18.15: “ O SENHOR teu Deus te levantará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, como eu; a ele ouvireis;”.
VERDADE PRÁTICA
Embora sejam classificados em maiores e menores, os profetas do Antigo Testamento foram todos, de igual modo, inspirados verbal e plenariamente pelo Espírito Santo de Deus.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Romanos 9.25-29
OBJETIVOS
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
- Explicar a interpretação apostólica na citação de Oséias e Isaías;
- Classificar os livros proféticos da Bíblia, e
- Conscientizar-se de que conhecer a organização dos livros da Bíblia é requisito básico para o aprofundamento do conhecimento bíblico.
PALAVRA-CHAVE
LITERATURA: - Conjunto de trabalhos literários de um país ou época.
COMENTÁRIO
(I. INTRODUÇÃO)
Nossa lição de hoje objetiva despertar-nos a atenção para a organização do texto bíblico. Houve entre o povo os profetas orais, ou melhor, os que não escreveram suas mensagens, e os profetas literários, estes divididos em dois grupos: Profetas Maiores (cinco) e Profetas Menores (doze). Foram assim classificados por Agostinho[1] em virtude do volume de seus escritos. O estudo sistêmico das Escrituras é a chave para um fiel entendimento. Temos aprendido que os santos profetas falaram o que Deus queria transmitir à humanidade, e em muitos casos, encontramos oráculos que apontam um mesmo acontecimento sendo proferidos por profetas distintos, Sofonias e Jeremias, por exemplo. É preciso compreendermos a organização dos livros proféticos e, conseqüentemente, de toda a Bíblia, a fim de que tenhamos uma base firme para prosseguir nos estudos bíblicos e teológicos. Neste subsídio, faremos uma exegese do texto da Leitura Bíblica em Classe e um resumo dos livros proféticos. Boa aula!
(II. DESENVOLVIMENTO)
I. OSÉIAS - O PROFETA MENOR
1. Oséias em o Novo Testamento. Oséias (hb הוֹשֵׁעַ, Hošea, Salvação do/é o Senhor; gr Ὠσηέ, Ōsēe), profeta em Israel no século VIII a.C., filho de Beeri. Casado com a prostituta Gomer, filha de Diblaim, por ordem de Deus, viveu no Reino do Norte durante o período de 780 a 725 a.C. A vida familiar de Oséias refletia a relação ‘adúltera’ que Israel havia construído com os deuses cananeus. Os nomes de seus filhos lhes transformaram em profecias ambulantes da queda da dinastia dominante e do pacto rompido com Deus - de maneira muito semelhante ao profeta Isaías uma geração mais tarde. Oséias freqüentemente é visto como um ‘profeta do destino’, porém sob sua mensagem de destruição está uma promessa de restauração. O Talmude[2] (Pesachim 87a) alega que ele teria sido o maior profeta de sua geração (que incluiu o mais notório Isaías). Os escritos sagrados hebraicos são conhecidos como Tanakh, escritos em hebraico e em aramaico a partir do século XVI e até o século V a.C. Tanakh ou Tanach (hb תנ״ך) é um acrônimo[3] utilizado dentro do judaísmo para denominar seu conjunto principal de livros sagrados, sendo o mais próximo do que se pode chamar de uma Bíblia Judaica. O conteúdo do Tanakh é equivalente ao Antigo Testamento, porém com outra divisão. O Tanach é às vezes chamado de Mikrá (מקרא). Paulo fundamentava sua pregação e seu ensino na Torah (Lei) e nos Neviim (Profetas) e dizia que não pregava outra coisa senão o que “os profetas e Moisés disseram que devia acontecer” (At 26.22). Escrevendo aos Romanos (9.25), ele cita Oséias 2.23 e 1.10 que em sua composição original referem-se à restauração do Israel apóstata à Deus, para nos ensinar que há um Israel espiritual (a igreja) além de um Israel nacional fazendo referência ao texto do profeta. Ele faz referencia, ainda, à Is 10.22, 23 e 1.9 para falar da misericórdia divina em preservar um remanescente do Israel físico, não deixando a nação apóstata ser aniquilada. Ele claramente cita os livros proféticos em ordem sistêmica – Profetas Menores e Profetas Maiores.
2. A vocação dos gentios prevista em Oséias. A narrativa desse livro mostra a evidente misericórdia divina em seu tratamento com os gentios; Paulo defende seu ensino afirmando que nem todos os que são chamados para ser ‘vasos de misericórdia’ pertence ao Israel físico, mas ele via em Oséias a inclusão dos gentios (Rm 9.24-26). O apóstolo encarava as profecias do AT sobre a nação de Israel como realizadas na Igreja, o novo Israel espiritual.
3. A interpretação apostólica. ‘As Escrituras do NT descrevem Oséias como o responsável por ensinar a vida e o ministério de Cristo. Mateus vê em 11.1, uma profecia que foi cumprida quando Jesus, quando bebê, foi literalmente levado e trazido do Egito, um paralelo com a longa estada de Israel no Egito e o êxodo (Mt 2.15). O autor aos Hebreus acha em Jesus Aquele que capacita os crentes a oferecerem sacrifícios aceitáveis de louvor pelos quais nós nos tornamos recipientes do perdão misericordioso de Deus (Os 14.2; Hb 13.15). A Pedro, Jesus provê a base pela qual aqueles que estavam fora da família de Deus agora são admitidos a um relacionamento com Ele (Os 1.6,9; 1Pe 2.10). A Paulo, Jesus cumpre a promessa de Oséias de que alguém quebraria o poder da morte e da sepultura e traria a vitória da ressurreição (Os 13.14; 1Co 15.55). Os ensinamentos de Paulo acerca de Cristo como o noivo e a Igreja como noiva correspondem à cerimônia de casamento e os votos pelos quais Deus entra num permanente relacionamento com Israel (Os 2.19,20; Ef 5.25-32).’ Bíblia de Estudo Plenitude, SBB, p. 852.
SINÓPSE DO TÓPICO (1)
O livro de Oséias tem sua autoridade escriturística reconhecida pelo apóstolo Paulo, que vê neste livro prevista a vocação dos gentios como povo de Deus.
II. ISAÍAS - O PROFETA MAIOR
1. Explanação apostólica (v.27). Paulo aplica a profecia de Isaías 10. 22, 23 e 1.9 para confirmar que Deus, em sua misericórdia, preservou um remanescente do Israel físico. Se não houvesse agido assim, toda a nação apóstata teria perecido. Isaías profetizou que uns poucos judeus seriam salvos e Paulo, conhecedor dessa profecia, em todos os lugares que pregou, antes se dirigiu às Sinagogas e pregou aos judeus, embora, poucos aceitaram a mensagem do Evangelho. Romanos 9.27, 28 refere-se a Isaías 10.22, 23 e Romanos 9.29, a Isaías 1.9.
2. O cumprimento das promessas de Deus (v.28). Paulo trata da eleição de Israel no passado, da sua rejeição do evangelho no presente, e da sua salvação futura. Ele afirma que a promessa de Deus para Israel não falhou, ela era apenas para os fiéis da nação (Gn 12.1-3; 17.19). A maior parte dos judeus não pôde crer, porque suas decisões no tocante a Jesus produziram o seu endurecimento da parte de Deus. As promessas de Deus nunca deixam inalteradas as pessoas que se recusam a ouvir, arrepender-se e crer. O apóstolo Paulo diz que Israel foi afastado (quebrado) por causa da sua incredulidade (Rm 11.20; cf. Sl 95.8; Hb 3.8). Mesmo assim, o endurecimento não foi permanente para cada indivíduo naquela nação. Todo aquele que cria, recebia a vida eterna. Na realidade, muitos em Israel chegaram a crer depois do Pentecoste (At 2.41).
3. A graça de Deus prenunciada por Isaías (v.29). Paulo apresenta a idéia de uma descendência tirada de um grupo maior, como uma expressão da graça divina, fazendo alusão a Isaías 1.9. O destino das cidades impenitentes tipifica o terrível juízo divino contra os irreconciliáveis. Paulo argumenta, com isso, que todas as pessoas do mundo são condenáveis diante de Deus e adverte os judeus a reconhecerem a graça de Deus e a converterem-se ao Senhor, a fim de serem salvos (Rm 3.9,23,30; Gl 3.22).
SINÓPSE DO TÓPICO (2)
O profeta Isaías é referido pelo apóstolo como autoridade escriturística em relação à rejeição de Israel.
III. CLASSIFICAÇÃO DOS LIVROS PROFÉTICOS
O Antigo Testamento é a primeira das duas principais partes da Bíblia, e contém 39 livros, classificados em quatro grupos: Lei, Históricos, Poéticos e Proféticos. Essa ordem é padronizada, aqui, no ocidente, pois em outros cânones há alterações, ainda mais nos outros ramos do cristianismo como os católicos romanos, ortodoxos, armênios, etíopes, cópticos, siríacos e nestorianos, que incluem os livros apócrifos[4], e em alguns casos os pseudo-epígrafos[5]. O Antigo testamento Hebraico não contém os apócrifos, porém, estão arranjados de forma diferente.
1. Os Profetas Maiores. A ordem dos livros proféticos é um consenso de consideração quanto à extensão, data e autoria dos livros. Isaías, Jeremias e Ezequiel, obviamente os ‘profetas maiores’, estão listados em ordem cronológica no início da coleção. Apesar de o livro de Lamentações conter apenas cinco capítulos e o de Daniel doze, ambos pertencem ao grupo dos profetas maiores.
2. Os Profetas Menores. Os livros relativamente curtos, que na Bíblia Hebraica são tidos em conjunto como um único livro, seguem os Profetas Maiores sem uma ordem cronológica rígida.
3. A autoridade do ministério profético do Antigo Testamento na Nova Aliança. As palavras dos profetas são a mensagem de Deus ao seu povo. O assunto do Antigo Testamento é a redenção humana. O Antigo Testamento não é um tratado de Teologia Sistemática, mas a teologia está presente do começo ao fim, nos relatos históricos, nas poesias, nas profecias, nos preceitos morais e cerimoniais. É, portanto, a fonte de toda a teologia. Não é também um compêndio sistemático da fé de Israel em Deus, cujo clímax dessa revelação é Jesus (Jo 1.18). Toda a história do Antigo Testamento mostra como Deus operou no processo da redenção humana. Registra o relacionamento de Deus com o homem até que o plano de redenção fosse realizado na cruz do Calvário. O AT era aceito pelos primeiros cristãos como coletânea de livros inspirados por Deus (2 Tm 3.16). Os cristãos e os judeus preservaram o Antigo Testamento até os nossos dias. A Igreja usou essa parte das Escrituras para a evangelização no seus primeiros dias (At 17.2,3; 24.14; 26.22). O fato de esses cristãos serem judeus justificaria a preservação de suas Escrituras, mas essa preservação não foi só por isso. Além disso, eles reconheciam-na ainda como o núcleo básico de sua fé ampliada em Jesus. O NT apresenta com muita freqüência o AT como a base para a fé cristã. (SOARES, Ezequias. Visão Panorâmica do Antigo Testamento. Rio de Janeiro, CPAD, 2003, p.23-4). Paulo citando Oseias e Isaías, reconhece a inspiração e a autoridade divinas de ambos.
(III. CONCLUSÃO)
A Escritura Sagrada classifica os livros proféticos em dois grupos: maiores e menores, que têm sua autoridade escriturística reconhecida por Jesus e seus apóstolos. De uma forma ou de outra todos os profetas se empenharam numa mensagem de restauração e a promessa de uma paz eterna. Essa mensagem tem como objetivo anunciar o Messias, às vezes chamado de Emanuel, Servo do Senhor, Raiz de Jessé, ou seja, Filho de Davi. O principal objetivo da pregação nos tempos apostólicos foi por excelência identificar o Cristo de Nazaré com todos esses títulos.
[1] Agostinho de Hipona ou Santo Agostinho (Tagaste, 13 de novembro de 354 — Hipona, 28 de agosto de 430), foi um bispo, escritor,teólogo, filósofo e Doutor da Igreja. Uma das figuras mais importantes no desenvolvimento do cristianismo no Ocidente. Ele aprofundou o conceito de pecado original e desenvolveu o conceito de Igreja como a cidade espiritual de Deus (em um livro de mesmo nome), distinta da cidade material do homem.
[2] O Talmude (hb תַּלְמוּד, Talmud) é um registro das discussões rabínicas que pertencem à lei, ética, costumes e história do judaísmo. É um texto central para o judaísmo rabínico, perdendo em importância apenas para a Bíblia hebraica.
[3] Acrônimo ou sigla, é uma palavra formada pelas letras ou sílabas iniciais de palavras sucessivas de uma locução, ou pela maioria destas partes. A palavra acrônimo deriva do grego: άκρος, "extremo" + ὀνομα, "nome"). ὀνομαστική. O acrônimo é pronunciado como uma palavra só, respeitando a estrutura silábica da língua.
[4] O termo ‘apócrifo’ foi cunhado por Jerônimo, no quinto século, para designar basicamente antigos documentos judaicos escritos no período entre o último livro das escrituras judaicas, Malaquias e a vinda de Jesus Cristo. São livros que não foram inspirados e que não fazem parte de nenhum cânon.
[5] Pseudepigrafia (do grego ψευδεπιγραφία) é o estudo dos pseudepígrafos ou pseudo-epígrafos, que são textos antigos, aos quais é atribuída falsa autoria.
APLICAÇÃO PESSOAL
Deus considera a fé dos crentes, hoje, maior do que a daqueles que viram e ouviram Jesus pessoalmente, até mesmo depois da sua ressurreição. Os crentes de hoje, embora nunca o tenham visto, amam-no e crêem nEle pelo que nos é revelado nas Escrituras Sagradas: ‘Da qual salvação inquiriram e trataram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que vos foi dada’ (1 Pe 1.10). Conforme disse Jesus, há uma bênção especial para ‘os que não viram e creram’(Jo 20.29). Vivendo por fé, recebemos a alegria como um dom de Deus para nós (Sl 16.11; Jo 16.24; Rm 15.13; Gl 5.22).
Os anúncios proféticos estão, em geral, direcionados para algum momento no futuro do povo ou da comunidade, em razão do que são entendidos como escatológicos. Não se trata, porém, de um juízo final da história, mas do anúncio de uma intervenção divina na realidade histórica, entendida como o ‘dia de Yahveh’ (Am 5,18-20), no qual a divindade promoveria transformações substanciais na história do povo. Essa intervenção divina é entendida por alguns profetas como historicamente mediada, por exemplo através de uma potência estrangeira (Assíria ou Babilônia), afirmada como braço estendido de Deus para julgar o povo (Is 10,5; Jr 36). De uma forma geral, a opressão dos pobres, viúvas, órfãos, a violência contra os humildes e o desprezo do direito divino (mishpat) e da justiça (sedaqah) são apresentados como motivos para o anúncio do juízo divino.
Anannias e Safira (At 5.1-11) foram um modelo negativo, um exemplo de como Deus vela pelo cumprimento de sua Palavra. Pela hipocrisia de Ananias, Deus trouxe o castigo merecido; uma resposta imediata, severa e final. ‘Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos; o que votares, paga-o. Melhor é que não votes do que votares e não cumprires.’ (Ec 5. 4,5), Conferir também Dt 23.21-23). Deus leva a sério a pureza da igreja. Essa foi uma lição precoce e inesquecível acerca de como Deus vê o pecado na comunhão dos crentes. Em essência, Deus estava dizendo: ‘Eu não estou brincando de igreja; não brinco com pecadores; não estou interessado em ser amigável. Desejo retidão, verdade e corações sinceros’. Com isso, Ele testemunhou estar realmente falando com sinceridade. A igreja não é um ‘clube’ social. O resultado desse episódio foi: ‘E sobreveio grande temor a toda a igreja’ (At 5.11). Naquele dia houve um cuidadoso auto-exame entre todos os que estavam ligados à Igreja de Jerusalém. Muita gente, para agradar o próximo e ter sua aprovação, sacrifica sua fé, suas convicções e age contrariamente à Palavra. Os tais estão prontos para juntar-se à maioria (cf. Dn 11.32,34) e ficar ao lado da opinião dos grandes ou das massas. O crente não pode obter vitória sobre o receio dos homens e o desejo de reconhecimento da parte deles sem a fé (1 Jo 5.4); a fé que vê a Deus, a Cristo, o céu, o inferno, o juízo e a eternidade, como realidades básicas (Ef 3.16-19; Rm 1.20; Hb 11). Esse alicerce é fortalecido pelo escrutínio sistemático das Sagradas Escrituras. Em Romanos 10.17: ‘A fé vem pelo ouvir e o ouvir pela Palavra de Deus’, e o mesmo texto diz: "16 Mas nem todos têm obedecido ao evangelho; pois Isaías diz: SENHOR, quem creu na nossa pregação? 17 De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus. 18 Mas digo: Porventura não ouviram? Sim, por certo, pois Por toda a terra saiu a voz deles, E as suas palavras até aos confins do mundo. 19 Mas digo: Porventura Israel não o soube? Primeiramente diz Moisés: Eu vos porei em ciúmes com aqueles que não são povo, Com gente insensata vos provocarei à ira. 20 E Isaías ousadamente diz: Fui achado pelos que não me buscavam, Fui manifestado aos que por mim não perguntavam. 21 Mas para Israel diz: Todo o dia estendi as minhas mãos a um povo rebelde e contradizente’. É preciso compreendermos não só a organização dos livros proféticos mas, de toda a Bíblia, a fim de que tenhamos uma base sólida para prosseguir na carreira que nos foi proposta. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas!
N’Ele, que me leva a refletir: "Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê.” (Rm 10.4),
Francisco A Barbosa
auxilioaomestre@bol.com.br
BIBLIOGRAFIA PESQUISADA
- Lições Bíblicas 3º Trim – Livro do Mestre – versão eletrônica, CPAD (http://www.cpad.com.br);
- Stamps, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD;
- MacArthur, John. Com Vergonha do Evangelho, Editora Fiel, 1997;
- Bíblia de Estudo de Genebra, São Paulo e Barueri, Cultura Cristã e SBB, 1999;
- Bíblia de Estudo Plenitude, SBB, p. 852
- Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, Editora Objetivo, Rio de Janeiro, 2001
- SOARES, Ezequias. Visão Panorâmica do Antigo Testamento. Rio de Janeiro, CPAD, 2003, p.234;
- Bíblia de Estudo Plenitude, SBB;
- http://www.slideshare.net/gotchalk/profetismo;
- Imagem: (Isaiah's_Lips_Anointed_with_Fire.jpg).
Postado por GERMANO DE PONTES às 18:03
A melhor maneira de se descobrir um cristão fake

Recentemente assisti a uma entrevista de um blogueiro que criou uma personagem fake, com o objetivo de ridicularizar os evangélicos. Segundo ele, mais de trinta mil pessoas visitam diariamente seu blog, e mesmo com toda a zoação (abuso de clichês, palavras chulas e situações pouco prováveis para um cristão), muitos acreditam que tudo aquilo é real.
Como esta personagem, há milhares de fakes circulando na internet, alguns tão sutis que é quase impossível dar-se conta de que não sejam pessoas reais.
Pior do que os fakes cibernéticos, são os de carne e osso que circulam nossas igrejas e nossas vidas, fazendo-se passar por aquilo que não são. Como reconhecê-los? Será que existem pastores fakes? Gente que sobe ao púlpito descaradamente, fingindo ser o que não são? Infelizmente a resposta é sim. Não dá pra confiar em tudo o que vemos e ouvimos.
Também recentemente, um pastor brasileiro que tem sido convidado para pregar fora do País, foi desmascarado, por usar dados do perfil do Orkut das pessoas como se fossem revelações dadas por Deus.
Até quando seremos enganados por esses fakes?
Como perceber que alguém é o que de fato diz ser? Como saber se aquela pessoa realmente teve um encontro com Deus?
Uma sociedade baseada em aparência, facilmente se deixará enganar por aqueles que ostentam uma piedade de fachada. Basta que o sujeito use meia dúzia de jargões religiosos, e pronto. Já enganou metade das pessoas do seu convívio.
Escrevendo a Tito, Paulo denuncia os que "professam conhecer a Deus, mas negam-no pelas suas obras, sendo abomináveis, desobedientes e reprovados para toda boa obra" (Tt.1:16).
Discursar sobre teologia não significa conhecer a Deus. Tive um professor no seminário que se dizia ateu. E aí?
Tempo de casa também não significa nada. Conheço gente que abraçou a fé há tão pouco tempo, mas que já conhece a Deus com mais profundidade do que alguns que nasceram e foram criados no ambiente da igreja.
Então, como podemos inferir se alguém conhece ou não a Deus, ou ainda, se é um cristão legítimo ou um fake? Do ponto de vista de Deus, não há qualquer problema. Afinal de contas, "O Senhor conhece os que são seus" (2 Tm.2:19a). Mas do ponto de vista do lado de cá, só há uma maneira de saber quem de fato conhece a Deus: "Qualquer que profere o nome do Senhor aparte-se da injustiça" (v.19b).
Vamos tentar entender melhor isso através de uma passagem não muito conhecida do Antigo Testamento:
"Eram os filhos de Eli, filho de Belial; não conheciam o Senhor" (1 Sm.2:12).
Como pode alguém ser filho do Sumo-sacerdote, e não conhecer a Deus? Nem sempre filho de peixe, peixinho é. Embora fossem filhos de Eli, aos olhos de Deus eram filhos de Belial (nome usado no AT em referência a Satanás).
Como o escritor sagrado chegou à esta conclusão? Vejamos o relato:
"Ora, o costume desses sacerdotes para com o povo era que, oferecendo alguém um sacrifício, estando-se cozendo a carne, vinha o moço do sacerdote com um garfo de três dentes na mão ( o famoso ‘tridente’). Metia-o na caldeira, ou na panela, ou no caldeirão, ou na marmita, e tudo o que o garfo tirava, o sacerdote tomava para si. Assim faziam a todo o Israel que ia a Siló”(vv.13-14).
Este era o meio de subsistência dos sacerdotes. Eles se dedicavam integralmente ao culto, e dependiam das ofertas para sobreviver. Porém, havia um protocolo a ser seguido.
“Mas antes mesmo de queimarem a gordura, vinha o moço do sacerdote e dizia ao homem que sacrificava: Dá essa carne para assar ao sacerdote; ele não aceitará de ti carne cozida, senão crua. Se lhe respondia o homem: Queime-se primeiro a gordura, e depois tomarás o que quiseres, então ele lhe dizia: Não, hás de dá-la agora; se não, tomá-la-ei à força. Era muito grande o pecado destes moços perante o Senhor, pois desprezavam a oferta do Senhor” (vv.15-17).
De acordo com o protocolo, a carne dos animais sacrificados deveria ser colocada no caldeirão, até que a gordura se queimasse, e assim, o sacerdote meteria seu garfo e retiraria a sua parte. Mas a gordura tinha que queimar.
Os filhos de Eli não tinham paciência de esperar que a gordura se queimasse. A gordura representava a melhor parte, e esta pertencia ao Senhor. Mas eles não se satisfaziam com a parte que lhes cabia no caldeirão.
Eles foram enredados pela mesma proposta feita pela serpente ao primeiro casal no Éden. Abocanharam o que pertencia exclusivamente a Deus.
Quem conhece a Deus, ama a justiça e foge da injustiça.
Justiça é dar a cada um o que lhe é de direito. A Deus o que é de Deus, a César o que de César, ao empregado o que é direito seu, ao patrão, idem, ao cônjuge a sua parte (1 Co.7:3-5), e assim por diante.
Em vez de lutar por lucro, quem conhece a Deus luta por justiça. Não importa quem vai ficar com a melhor parte do bolo, desde que isso seja justo.
Nas palavras do apóstolo, “dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo, a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra. A ninguém devais coisa algum, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros” (Rm.13:7-8a).
Dar honra é o inverso de querer tirar vantagem.
O que denunciava que os filhos de Eli eram na verdade “filhos de Belial”, e, portanto, sacerdotes fakes, era o fato de quererem tirar vantagem em tudo, até daquilo que pertencia ao Senhor.
É claro que temos direitos, porém o direito alheio vem sempre em primeiro lugar. Temos que esperar a gordura queimar, para tirar o que é nosso. É disso que Paulo fala em Romanos 12:10: “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-os em honra uns aos outros.” Ser cordial é ceder a vez, é por o interesse do outro acima do nosso, como nos orientou Paulo em outra passagem: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade, cada um considere os outros superiores a si mesmo. Não atente cada um somente para o que é seu, mas cada qual também para o que é dos outros” (Fp.2:3-4).
Sempre haverá um caldeirão diante de nós, e nossa postura ao metermos nosso garfo vai revelar de quem somos filhos.
É simples assim:
“Nisto são manifestos os filhos de Deus, e os filhos do diabo: quem não pratica a justiça não é de Deus, nem aquele que não ama a seu irmão” (1 Jo.3:10).
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Músicos Cristãos: Ministros ou Artistas?

Músicos Cristãos: Ministros ou Artistas?
Flávio Santos
Há algum tempo escrevi um artigo sobre música em que explico a minha visão de compositor sobre música, pelo qual recebi elogios e críticas. Passado algum tempo, tenho novas reflexões sobre música e seu papel na igreja as quais gostaria de compartilhar com vocês.
Em 1977, quando eu ainda cursava a oitava série do primeiro grau, conheci os Herige Singers e meu interesse pela música foi despertado. Naquela época a música religiosa Brasileira se resumia a Arautos do Rei, Del Delker, Alfredo Arruda, Manuel Escórcio, Vencedores por Cristo, Luiz de Carvalho, Denise, Zilda Azevedo e outros poucos nomes.
Lembro-me da revolução na igreja causada pelos Heritage. Um clip deles foi ao ar no programa Fantástico da Rede Globo e a Rádio Eldorado FM fez um programa de uma hora sobre o grupo. Para o meio gospel da época o início de uma nova era na música religiosa.
Desde menino fui aficionado por long plays e em nenhuma loja secular se encontrava discos evangélicos. 25 anos se passaram e o Brasil mudou e música religiosa brasileira mudou. Os Heritage Singers eram em 1977 um grupo proeminente entre vários outros grupos que atuavam na mesma época tais como Maranatha Singers (da série Praise), Continental Singers, Paul Johnson Singers, Sixteen Singing Men, entre outros.
O arranjador dos discos dos Heritage era o maestro Ron Huff cujo talento o levou a trabalhar recentemente com Celine Dion em seu cd de natal. Um dos compositores interpretados pelos Heritage era William Gaither (sim o Bill do Gaither Vocal Band tão famoso entre os quarteteiros de hoje.) O que pro Brasil era o início de uma revolução nos Estados Unidos era um fim de duas décadas de renovação da música cristã.
Compositores como Don Wyrtzen (Foi Assim), John Peterson (A Paz do Céu), Jimmy Owens (Se meu Povo), Ralph Carmichael (Lugar de Paz), Kurt Kaiser (A Pequenina Chama), Otis Skillings (O Mundo há de Saber), Andrae Crouch (Foi Assim, Não Via Tardar e Meu Tributo) entre outros foram os que lideraram este rico movimento de música vocal cristã que iniciou nos anos 60 e prosseguiu ativamente até 1980.
Neste período havia um interesse muito grande por música para grupos vocais mistos e em função disso foram escritos muitos musicais e cantatas. Estas mesmas obras foram também utilizadas pelos corais de igreja que tinham em média 30 cantores. A febre por conjuntos e pequenos coros nos Estados Unidos era tão grande que toda Igreja, Colégio e Universidade tinha o seu conjunto ou pequeno coro e as livrarias evangélicas tinham uma infinidade de hinários, lps e play-backs para suprir esta necessidade.
No Brasil este movimento veio com aproximadamente 20 anos de atraso. Hoje com a globalização o Brasil se tornou mais um estado do grande Globo dominado pelos Estados Unidos e as coisas já não demoram tanto tempo pra chegar aqui.
Voltando a 1977, o meu sonho de menino era conhecer este universo de música vocal tão rica e abundante que se encontrava na América do Norte e pude realizar este sonho em 1982 quando fui trabalhar como estudante missionário em Toronto, Ontário, Canadá.
Mas ao chegar lá e iniciar meu reconhecimento musical no que havia de novo nas livrarias evangélicas, percebi que algo havia mudado. Pilhas de hinários e lps para conjunto em liquidação, Poucos novos lançamentos, editoras falidas, como Lexicon Music, ou vendidas, como a famosa Singspiration, e percorrendo umas 20 livrarias evangélicas consegui comprar alguns discões muitos deles os últimos do estoque.
Ao mesmo tempo, a música para conjunto vocal estava ficando fora de moda e não faltam razões para isso ter acontecido, pois para se manter um conjunto profissional de 16 ou 20 pessoas era preciso um ônibus, um belo equipamento de som e muito dinheiro para despesas de viagens e promoção. Os grupos foram diminuindo de tamanho: Vejam as capas dos lps dos Heritage. No final dos anos 70 a cada nova formação o grupo diminuía de tamanho ao ponto de ficar com 6 ou 7 pessoas. Ao mesmo tempo que os grupos diminuíram de tamanho diminuíram os grupos e apareceram os solistas, os trios e as bandas.
Em 1980 surgiram Amy Grant, Evie, Sandi Patty, Michael W. Smith, Gaither Vocal Band, First Call, entre outros e os ministérios solo se multiplicaram como coelhos. Hoje, ao entrar em uma livraria evangélica ou pesquisar na internet nomes de artistas de música cristã encontra-se milhares de nomes. Recentemente a maior gravadora de música evangélica do mundo, a Word, que foi comprada pela gigante multinacional AOL Time-Warner. Na ocasião foi informado que a Word é proprietária de 75.000 matrizes de produções evangélicas.
Nashville, a cidade considerada a capital da música sertaneja, tornou-se a capital da música gospel.
Com essa "pequena" introdução histórica vou tocar num assunto incomodo mas verdadeiro. A música cristã se tornou um negócio. Assim como algumas igrejas se tornaram empresas.
1. Música Cristã é um negócio secular? Sim e não: Veja bem: 90% das músicas cantadas em nossos hinários e gravadas por artistas religiosos são patrimônio das cinco grandes indústrias da música: AOL Time-Warner, Universal, BMG, Sony e EMI. Estas grandes multinacionais são donas ou acionistas dos principais selos e gravadoras cristãs e tudo é decidido por pessoas com uma visão empresarial secular de lucro. Existem muitos artistas independentes que sobrevivem da venda de igreja em igreja ou livrarias evangélicas. Mas os mais famosos e que mais vendem são propriedade das poderosas.
2. Quer dizer que o hino do hinário que eu canto é parte de um esquema financeiro secular poderoso? Infelizmente tenho que dizer que a maior parte do que foi produzido nestes últimos anos sim. Os compositores não fizeram suas músicas com esta intenção mas a necessidade de sobrevivência os motivou a vender os direitos de exploração comercial destas canções para as editoras que foram vendidas para as multinacionais.
3. O que esse fato afeta o ministério de música em minha igreja? Com o desaparecimento da música coral ou conjunto misto no final dos anos 80, o movimento CCM (Música Cristã Contemporânea) se caracterizou pelo surgimento dos chamados artistas cristãos. Diversos artistas da música evangélica se tornaram conhecidos e a música evangélica seguiu um caminho que em resumo foi o seguinte: A cada cd ou novo lançamento gospel o nome Jesus ou Deus foi desaparecendo. E cada vez mais os elementos musicais se aproximavam dos artistas seculares em sucesso na época. Hoje pra cada Backstreet Boys e Britney Spears secular o meio gospel tem o seu cover. Naturalmente alguns cuidados são tomados, por exemplo: as letras são neutras... Não ofendem, mas também não falam de Jesus. As capas são mais comportadas, mas muitas vezes os mesmos músicos, produtores, compositores do mundo, escrevem para os cds gospel. Não quero com isso dizer que a participação de pessoas não cristãs no processo seja ruim. O que quero é mostrar que na maioria das vezes são as pessoas do mundo que estão determinando o que se vai consumir em música evangélica. Tenho alguns exemplos: O Roupa Nova produziu o cd da Aline Barros, o Patrick Leonard, produtor da Madonna, produziu um dos cds do Michael Smith. Não são apenas músicos tocando ou interpretando música cristã. São pessoas não cristãs criando e produzindo a música que mais tarde é cantada na igreja. É mais ou menos como os jornalistas da Globo ou da revista Caras escrevendo os sermões que serão pregados em nossas igrejas.
4. O púlpito é um palco de shows ou um santuário? Cada vez mais nossos solistas e conjuntos (sim a era de conjuntos ainda não acabou no Brasil) estão transformando nossos cultos em shows de música. Cada vez mais nossos esforços evangelísticos são precedidos de shows. Com palmas e manifestações de apreço, muitas vezes pela mensagem da música, mas na maioria das vezes pelo artista. Cada novo cd que é produzido existe uma preocupação em ter no repertório músicas pra Ginásio e pra Rádio, e muitos cds já não tem mais músicas apropriadas para culto ou apelo. Da mesma forma que Celine Dion a Mariah Carey têm conquistado seus ouvintes com voltinhas, agudos e grunhidos, e músicas de apelo dramático com finais apoteóticos. Nossos cantores evangélicos tem imitado o mundo.
5. E os cds? Por incrivel que pareça, é muito mais fácil produzir um cd de Jazz ou música regional do que um cd Evangélico. Se você parar e escutar alguns cds de bossa nova, country ou Jazz (Smooth Jazz pra ser mais preciso), se encontra mais paz e tranqüilidade do que na maioria dos cds gospel de hoje. Num cd de jazz aceita-se que todas as músicas sejam lentas, intimistas e calmas. O comprador não se importa se o cd tem uma unidade formal e as músicas sejam numa mesma linha. Já no cd gospel a regra é outra. Tem que vender e pra isso precisa orquestra, vocal, diversidade, movimento, excitação, novidade, etc. E quem disse que música cristã tem que ser euforia o tempo todo?
6. Mas e o seu argumento de que a música é neutra e que é apenas uma linguagem? A música é um elemento mas os artistas e compositores não são neutros. Ou você é de Deus ou do inimigo. Não existe meio termo. Nesta minha vida de compositor, maestro e produtor tenho aprendido diversas lições refletindo erros por mim cometidos. Nunca me usem como exemplo pois sou humano e necessito da graça de Deus. Não podemos continuar em mornidão acreditando que somos neutros. A música pode não ser santa. Mas nós poderemos ser instrumentos de Deus ou do inimigo. Não podemos negar que estamos no meio de um conflito em que o bem e o mal estão tentando nos alistar para seus exércitos. Existe um filme secular em que o protagonista é um advogado que é contratado para representar uma grande firma cujo o presidente é o próprio inimigo. A Bíblia nos relata que até Jesus foi tentado no deserto. Nós, como músicos, estamos no meio desta batalha e precisamos definir o que somos: Ministros ou Artistas. E cada dia que passa percebo que somos tentados em diversos aspectos. Na música, é no desejo de vender bem, na vaidade e ostentação nas capas, e poderia descrever um monte de pequenos ardis. Não é novidade que alguns dos grandes artistas cristãos dos anos 80 e 90 estão fora de circulação por problemas de conduta. Infelizmente esta é uma das formas mais usadas para desacreditar o ministério da música. Primeiro o inimigo leva o artista nas alturas pra contemplar lá do alto o que o mundo oferece e o artista cristão embevecido com o aplauso das multidões e fãs relaxa em seu contato diário com Jesus. Passar a agir como Pedro andando pelas águas. E esquece da dependência de Deus. E é nessa hora que o inimigo afunda os Pedros cantantes da vida (auto suficientes) com drogas, desonestidade, infidelidade, etc.
7. Em que posso contribuir para o ministério da música? Muita coisa pode ser feita vou citar algumas:
a) Em primeiro lugar defina de que lado desta batalha você está.
b) Transforme os shows de música e feiras de vendas da porta da sua igreja em verdadeiros cultos de louvor a Deus e não culto a pessoa.
c) Escreva, envie e-mail, ou telefone para a liderança da igreja, associação, união e missão e os façam saber que o povo de Deus precisa de conteúdo e não de forma ou embalagem bonita. O povo de Deus precisa de ministros e não de artistas marketeiros do gospel.
d) Não caia na bobagem de promover uma nova inquisição fazendo lista de músicas que podem ou não podem, acordes que podem ou não podem, ou tentar selecionar os instrumentos que podem ou que não podem. Ore e peça que Deus dê discernimento aos músicos. Ou escolha participantes que já são conscientes na escolha de seu repertório. Lembre-se que um instrumento de percussão como a bateria bem tocado pode inspirar e cumprir um objetivo.
e) Elogie, apóie e promova os grupos musicais e indivíduos que já estão comprometidos com o ministério de evangelização.
f) Use com discernimento (ou não use) os cartazes e peças promocionais em que o apelo é comercial e culto a pessoa.
g) Façam campanhas e comprem instrumentos musicais novos tais como pianos e órgãos para a igreja.
h) Incentivem e patrocinem a formação de novos pianistas e instrumentistas na igreja. (Pra cada 10 juvenis que estudam música um será útil pra igreja) É preciso plantar muito pra colher o ideal.
i) Formem orquestras e bandas para uso no louvor.
j) Ressuscitem o velho coral da igreja. É melhor um bom coral do que 10 conjuntos competindo e brigando na igreja.
k) Ao distribuir as mensagens musicais da igreja priorize a participação de mais pessoas. Minha sugestão de prioridade: corais e congregação, orquestras e bandas, conjuntos, quartetos, trios, duetos, e solo.
l) Exija de nossas editoras e gravadoras material para o uso na igreja, tais como hinários e partituras, kits de ensaio, etc.
m) Por mais cômodo que seja o uso do play -back lembre-se que cada vez que um instrumentista fica sentado no banco, por que foi trocado por música mecânica, você se torna responsável perante Deus por não contribuir com o desenvolvimento do talento dele.
Conclusão: Não é a música, os instrumentos, os acordes, os arranjos, as combinações musicais, mas sim os músicos que fazem a diferença. Você que está lendo este artigo provavelmente tem algum interesse em música, pode ser que cante, toque ou aprecie. Por favor transforme a música da sua igreja em um verdadeiro ministério. Pois a música gospel ou CCM (Música Cristã Contemporânea) é uma arte falida .
a) Falida porque não é original quase sempre é uma cópia mal feita do que existe no mundo secular. Ao invés de promover e incentivar a criatividade e qualidade a música gospel incentiva a mesmice e a repetição. Experimente procurar um nome de um compositor gospel em um dicionário ou enciclopédia séria de música erudita ou popular. Você vai encontrar poucos nomes porque estes músicos não são considerados criadores ou artistas autênticos e o produto que fazem são como disse antes cópias mal feitas do original.
b) É falida também porque esconde as verdadeiras intenções de quem faz e promove. Quem causa mais estrago um lobo ou um lobo vestido de ovelha?
c) Finalmente é uma arte falida porque tira Deus como a figura central e única e coloca o homem em seu lugar. A igreja evangélica sem perceber adotou novos ídolos. Não são mais ídolos de barro ou madeira, mas os substituímos por ídolos de plástico e papel (cds e cartazes) e os adoramos como se estivessem no lugar de Deus.
Eu Flávio Santos, humano e falho, carente da sabedoria Divina, continuo acreditando na música como uma linguagem de possibilidades infinitas para o evangelho, acredito também que a combinação dos elementos musicais pode ser feito de acordo com o livre arbítrio dado por Deus. Acredito que a cultura interage na criatividade. Acredito que na comunicação precisamos usar a linguagem do povo e ir onde o povo está. Mas não acredito no uso destes elementos para fins comerciais e de ostentação pessoal. E não consigo concordar que os produtores e executivos de gravadoras seculares cujas crenças e práticas são incompatíveis com o nosso objetivo de vida, determinem e ditem o que é cantado em nossa igreja. E não concordo com o chover no molhado dos artistas gospel do nosso meio. Não vemos o artista direcionando o seu trabalho para a evangelização, o que vemos é shows pra nós mesmos. Precisamos dar um basta nisso.
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